
Educar para a Não-Violência: Um Compromisso que Começa na Infância
Segue o link para uma leitura do livro em questão e um pequeno texto para a comunidade: https://www.youtube.com/watch?v=bAVHBmiw1zkn
Algumas palavras aos adultos!
Vivemos numa sociedade em que a violência, infelizmente, continua muito presente em muitos aspetos da vida quotidiana. Desde cedo, as crianças são expostas a representações de violência através da televisão, do cinema, dos videojogos e até da música. Para além disso, algumas presenciam ou vivenciam situações de violência real — em casa, na escola ou na comunidade.
É precisamente por isso que o trabalho preventivo com crianças é tão essencial. Ao compreendermos e explicarmos às crianças as razões pelas quais algumas pessoas recorrem à agressão, podemos ajudá-las a refletir sobre o seu papel nas relações humanas. E, mais importante ainda, podemos orientá-las no sentido de desenvolverem formas saudáveis e construtivas de lidar com os seus próprios sentimentos.
Enquanto adultos — pais, educadores ou profissionais — temos a responsabilidade de promover nos mais novos a empatia, a resolução pacífica de conflitos e o respeito pelo outro. A leitura partilhada de livros educativos pode ser uma excelente ferramenta nesse processo. Através deles, é possível trabalhar competências emocionais fundamentais como o autocontrolo, a empatia, a gestão da raiva e o reconhecimento dos ciúmes.
- Para além da leitura, há várias formas de reforçar estes valores no dia a dia, como:
- Criar relações afetuosas e seguras com as crianças;
- Estabelecer regras e limites claros, com consistência e respeito;
- Propor alternativas construtivas na resolução de conflitos;
- Ser um modelo de comportamentos não violentos, mostrando que existem outras formas de lidar com os desafios do quotidiano.
Deixámos aqui algumas dicas de propostas que podem ser adaptadas consoante a idade das crianças e o contexto:
🖐️ 1. Que tipo de mãos são as tuas?
“Se as tuas mãos pudessem falar, o que diriam sobre ti?”
- Incentive a criança a refletir sobre como costuma usar as mãos: para ajudar, criar, brincar, acariciar ou contrariamente, empurrar ou bater.
- Explore com ela o que gosta de fazer com as mãos e o que pode aprender a fazer de forma mais cuidadosa.
🤝 2. Como damos as boas-vindas com as mãos?
“De que maneiras diferentes podemos dizer ‘olá’ usando só as mãos?”
- Faça uma ronda de cumprimentos criativos com as crianças.
- Conversem sobre como nos sentimos ao receber um aperto de mão gentil ou um gesto amigável.
- Inventem juntos um cumprimento “secreto” da turma ou da família.
🫶 3. Mãos que ajudam, mãos que magoam
“Consegues lembrar-te de alguma vez em que usaste as mãos para ajudar alguém? E alguma vez em que usaste as mãos de uma forma de que te arrependeste?”
- Ajude a criança a pensar nas consequências das suas ações.
- Fale ou escreva sobre como podemos corrigir, pedir desculpa e melhorar.
🫱 4. Comunicar sem palavras
“Se não pudesses falar, como mostrarias que estás feliz? Ou triste? Ou com medo?”
- Incentive as crianças a usar expressões faciais, gestos, desenhos ou objetos para comunicar sentimentos.
- Explore a comunicação não-verbal e discuta sobre como nem sempre precisamos de palavras para nos entendermos.
✋ 5. Como seria o mundo… sem mãos?
“Imagina que não podias usar as mãos durante um dia. Como farias as tuas tarefas? Como pedirias ajuda?”
- Reforce a empatia pelas pessoas com deficiências físicas.
- Estimule a criatividade e a valorização do que conseguimos fazer.
🙌 6. Brincadeiras de mãos unidas
“Quais são as tuas brincadeiras preferidas que envolvem dar as mãos?”
- Fale sobre dançar em roda, jogar às escondidas ou fazer um comboio humano.
- Discuta o quanto é bom sentir-se conectado aos outros de forma segura e divertida.
💬 7. Quando batemos, o que realmente queremos dizer?
“O que acontece dentro de nós quando sentimos vontade de bater?”
- Ajude a criança a identificar emoções difíceis como raiva, frustração ou tristeza.
- Discuta alternativas: pedir ajuda, respirar fundo, afastar-se, usar as palavras.
🧠 8. Duas mãos fazem melhor que uma!
“O que é mais fácil: fazer algo sozinho com uma mão ou em equipa, usando duas mãos diferentes?”
- Realize atividades em pares onde cada criança usa apenas uma mão.
- Reforce a importância da cooperação, da escuta e da paciência.
🧩 9. Como resolver um problema juntos?
“O que farias se tu e um amigo quisessem brincar com o mesmo brinquedo ao mesmo tempo?”
- Estimule conversas sobre situações reais ou imaginadas em que ocorreu um conflito.
- Promova pequenos teatros (role-play) com diferentes desfechos: partilhar, esperar a sua vez, propor um jogo novo.
- Mostre que há muitas formas de encontrar soluções onde todos ficam a ganhar.
🚦 10. Quando dizer ‘não’ é importante
“E se alguém te pedisse para fazer algo que te deixasse desconfortável?”
- Fale sobre os sinais internos que sentimos quando algo “não nos parece bem”.
- Encoraje a criança a praticar a dizer “não” em voz firme, com expressão decidida.
- Faça um jogo em que a criança identifica situações seguras e perigosas, e simula como pedir ajuda a um adulto de confiança.
Psicóloga Marisa Silva